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Abimaq tem plano para ampliar exportação e dois países árabes figuram entre os mercados-alvo 05/02/2018

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) negocia com o governo a criação de um plano para incentivar a mecanização agrícola em países do Oriente Médio, África e América Latina com produtos brasileiros. A ideia, segundo o presidente-executivo da entidade, José Velloso, é fazer algo parecido com o programa Mais Alimentos Internacional, mas mais abrangente.

O Mais Alimentos Internacional foi um programa, inicialmente batizado de Mais Alimentos África, que ajudou a exportar máquinas agrícolas para outros países. O governo de cada país credenciado, a maioria da África e América Latina, adquiria o equipamento e repassava, cada um à sua maneira, a pequenos agricultores. Além de ajudar a combater a fome, incentivava a agricultura familiar.

O objetivo da Abimaq agora é ir além: “Queremos exportar a solução integrada para países sem indústria de máquinas consolidada. A máquina agrícola para o agricultor, a máquina rodoviária para ajudar a construir as estradas, máquinas para ajudar na logística, processamento de alimentos, embalagens, para a indústria plástica”, explicou Velloso, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (31). “E também auxiliar no desenvolvimento da prestação de assistência técnica. ”

Segundo o presidente-executivo da Abimaq, o plano já foi apresentado à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e a recepção foi positiva em todos os órgãos.

“Contamos com a ajuda de todos os órgãos: a Apex-Brasil para promover, o MRE para trabalhar com as embaixadas, o BNDES para financiar”, disse. “Nosso plano envolve doze países, da América Latina, Oriente Médio e África. ”

De acordo com a gerente de mercado externo da Abimaq, Patrícia Gomes, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos são dois países árabes previstos para entrar no programa. No entanto, ainda não há prazo para implantação, uma vez que o projeto está sendo negociado com os órgãos governamentais.

Ações para 2018

Nos últimos anos, a Abimaq, em parceria com a Apex, trouxe compradores árabes para importantes feiras do setor, como a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), a Feimec e a Plástico Brasil. A iniciativa gerou resultados positivos, segundo Patrícia Gomes, que busca novos compradores da região para os eventos previstos para este ano: a Feimec, em abril, e a Agrishow, em maio.

“Nossa ideia é ter compradores árabes nesses eventos. Já estamos em contato com o escritório da Apex-Brasil em Dubai para ver se conseguimos trazer”, disse Gomes. Ela citou como positiva também a participação da Abimaq na Sima-Sipsa, na Argélia. “Recebemos muitas visitas de empresários interessados nos produtos brasileiros. Não só nas máquinas agrícolas, mas também de outros segmentos”, contou.

Gomes contou também que está nos planos da associação participar do Salão Internacional de Agricultura do Marrocos (Siam), em abril, em Meknès. “A vontade é muita porque o Marrocos é um mercado com bastante potencial, mas as datas meio que coincidem com a Agrishow, o que prejudica um pouco a participação das empresas lá e até a atração de compradores para cá”, explicou a executiva.

Resultados

No ano passado, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos cresceram 16,6%, somando US$ 9,086 bilhões. As importações no mesmo período caíram 17,2%, para US$ 12,77 bilhões, gerando um déficit de US$ 3,684 bilhões na balança comercial do setor.

“O crescimento das exportações foi o único índice positivo do ano passado”, destacou João Carlos Marchesan, presidente da Abimaq. “A tendência é continuar subindo este ano, mesmo com a rentabilidade mais baixa. ”

O faturamento do setor caiu 2,9%, para R$ 67,1 bilhões – foi o quinto ano consecutivo com queda na receita da indústria de máquinas e equipamentos. No entanto, Marchesan crê que em 2018 a história seja outra: “Vamos crescer de 5% a 10% este ano na receita”, projetou.

O próprio resultado semestral indica reversão na curva: no segundo semestre de 2017, segundo a Abimaq, o faturamento cresceu 0,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior e 5% em relação ao primeiro semestre de 2017. “Estamos entrando nos eixos e vamos começar a retomada. Não é crescimento, é retomada”, destacou o presidente.

Fonte ANBA