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Confederação Nacional da indústria divulga novo relatório de competitividade




15 - setembro - 2020

O Brasil ocupa a 17ª posição entre os países que compõem o comparativo do estudo, à frente apenas da Argentina

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou o Relatório de Competitividade 2019-2020. O Brasil ficou em 17ª posição em um ranking de 18 países.  Esta análise de desempenho compara os países com características similares às brasileiras ou que competem com o país no mercado internacional. O estudo reforça o que a ABIMAQ defende: a necessidade de reformas, como a tributária e a administrativa.

Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil apresentou redução de burocracias, no entanto, isso não foi suficiente para tirar o país do penúltimo lugar, à frente apenas da Argentina. Entre as economias latino-americanas que aparecem no relatório, há ainda a da Colômbia, Chile e México (17ª, 8ª e 12ª posições, respectivamente). Nas quatro primeiras posições, destacam-se a Coreia do Sul, seguida por Canadá, Austrália e China, nesta ordem.

Entre os fatores em que o Brasil teve melhor resultado estão tecnologia e inovação, trabalho e estrutura produtiva, escala e concorrência. O resultado em tecnologia e inovação estão relacionados ao quinto maior investimento no PIB para esta área entre os países do estudo. Com relação ao trabalho, o país tem alta disponibilidade de mão de obra, mas com baixa produtividade, encarecendo o custo produtivo. Já na análise da estrutura produtiva, escala e concorrência, o país aparece como o 4º maior mercado doméstico, e a sua estrutura produtiva está em 10º lugar quanto à complexidade. 

A história se complica quando analisados os fatores tributação e financiamento. Nestes casos o país ocupa a penúltima e última posição do ranking, respectivamente. A carga tributária no Brasil representa 32,3% do PIB e 65,1% do lucro das empresas. Ela é próxima a de países como Espanha (33,7%) e Polônia (33,9%), cuja renda per capita é cerca de duas vezes superior à brasileira.

“Estes dados revelam que uma das necessidades de ação para que o país retome o seu crescimento com ganhos em competitividade é buscarmos abrangentes reformas tributária e a dos sistemas de financiamento para a exportação”, afirma José Velloso, presidente-executivo da ABIMAQ. No caso do fator financiamento, o Brasil apresenta a mais alta taxa de juros real de curto prazo (8,8%) e um spread de taxa de juros de 32,2%. Para efeitos comparativos, a segunda maior taxa de juros da lista é a da Rússia, de 5,2%: 68% menor que a brasileira. O segundo maior spread, de 11,9%, no Peru, é quase três vezes menor.

No resultado geral, a média do país melhorou com relação à análise anterior, de 2018-2019, passando de 4,26 para 4,4. Mas o aumento de 3,2% não foi suficiente para alterar a posição do país no ranking da CNI, já que seus concorrentes também apresentaram melhora em seus indicadores.

Brasil e seus principais parceiros apresentam queda nas exportações

A participação do Brasil na produção industrial mundial caiu de 1,24%, em 2018, para 1,19% em 2019. O menor resultado desde o início da série histórica em 1990. Este mesmo estudo da CNI, intitulado Desempenho da Indústria no Mundo, mostra que o país também perdeu espaço no cenário das exportações. Em 2017, a participação do país era de 0,91%, caindo para 0,88, em 2018, e 0,82%, em 2019, segundo estimativas da Confederação.

A perda de participação da indústria brasileira no cenário mundial tem sido observada desde meados da década de 1990. E foi intensificada entre 2014-2016, acumulando queda de 10,1% na participação do PIB. A agropecuária e o setor de serviços apresentaram quedas menores neste período, de 2,1% e 4,9%, respectivamente. Na contramão, a produção industrial mundial manteve-se em  crescimento desde a crise de 2009.

Parceira comercial do Brasil, a China correspondeu a 28,85% do valor adicionado à produção da indústria de transformação mundial, em 2018, e 29,67% em 2019. O país asiático possui a maior indústria do mundo, à frente dos Estados Unidos, Japão e Alemanha. No cenário das exportação, a China também se destaca. Em 2018, o gigante asiático, seguido por Alemanha, Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul somaram 41%  da exportação da indústria de transformação mundial.

No Brasil, após 3 anos de crescimento nas exportações do setor, foi registrada a queda de 7,2%, em 2019, em comparação com o ano anterior. Este número corresponde a quase metade do crescimento obtido entre 2015-2018, de 15%. Isto acontece mesmo em um cenário de depreciação do real, que perdeu 12% do seu valor entre 2017 e 2019. As incertezas relacionadas aos ambientes externo e interno geram volatilidade no valor da moeda, fator visto como um dos dificultadores para contratos comerciais.

Além disso, a crise na Argentina e a tensão nas relações comerciais entre Estados Unidos e China contribuíram para a redução das exportações. Dos oito principais parceiros comerciais do Brasil, sete também exportaram menos. O México é o único que deve apresentar ganho nas relações comerciais internacionais da indústria de transformação em 2019. A Coreia do Sul é o país do grupo que registrará a maior perda, de 0,36%, em comparação com 2018. Em seguida, vem a Alemanha, com queda de 0,34%. 

Classificação competitiva geral dos 18 países