Brazil Machinery Solutions

A Indústria da Mineração e oportunidades para o setor de máquinas e equipamentos na África do Sul




24 - março - 2021

O Chefe do Setor de Promoção Comercial da Embaixada do Brasil em Pretória, África do Sul, apresenta o panorama do setor de mineração no país

O Conselheiro Bruno Neves, Chefe do Setor de Promoção Comercial da Embaixada do Brasil em Pretória, África do Sul, conversou com o Blog do Brazil Machinery Solutions sobre a indústria da mineração na África do Sul, umas das mais dinâmicas do país. De acordo com o Minerals Council (Conselho de Mineração) da África do Sul, entidade que representa a indústria local de mineração, em 2020 o setor contribuiu com 361,6 bilhões de randes (aproximadamente 24 bilhões de dólares americanos, no câmbio recente) para a economia local. O valor corresponde a 8,2% do PIB da África do Sul. 

A indústria de mineração é responsável por 451 mil empregos e o país conta com mais de 500 minas em operação, que extraem 22 diferentes minérios. A África do Sul é o maior produtor mundial de metais do grupo platina, o terceiro maior produtor de ouro e o sétimo maior produtor de diamantes. Ainda assim, o país é importante produtor de carvão e de outros minérios e metais como cromo, manganês, vanádio e titânio, reforça o Conselheiro Bruno Neves, que define a mineração como parte essencial da economia sul-africana. 

Como consequência da pandemia por COVID-19, o volume da produção de minérios sofreu queda de 11,6%, na comparação anual de novembro de 2019 a novembro de 2020. Dados oficiais apontam que, com exceção da produção de diamantes – que registrou crescimento de 56% nesse período, todas as outras commodities registraram variados níveis de queda (e.g.: ouro 7%, níquel 11%, platina 16,1%, manganês 15,9%, cobre 46,2%, cromo 17,9%, minério de ferro 35,3% e carvão 5,9%). 

Um O estudo de mercado “Máquinas de Mineração 2020 – África do Sul”, encomendado pela Apex-Brasil e que contou com o apoio do SECOM de Pretória e da ABIMAQ, aponta que o valor total de máquinas de mineração importadas pela África do Sul em 2018 foi de US$1,4 bilhão, produtos estes que contam com uma taxa média de crescimento anual de 2,6% desde 2015. Dentro da mesma categoria, os principais produtos importados pela África do Sul são: tubos, cascos de caldeiras, tanques, cubas, engrenagens e peças de máquinas para triagem, peneiração, separação, lavagem, trituração e moagem. O estudo ainda traz informações a respeito dos maiores fornecedores de equipamentos para essa indústria, que são a China, a Alemanha e os Estados Unidos. Sendo que a África do Sul apresenta déficit comercial em todas as categorias de máquinas de mineração.

Bruno Neves recorda que o Brasil está na 13ª colocação entre os principais fornecedores de máquinas de mineração para a África do Sul, com o país sendo responsável por 1,5% do total e registrando uma taxa média de crescimento anual de 6,3% entre 2015 e 2018, atingindo US$22 milhões ao final desse período. As principais subcategorias de produtos exportados pelo Brasil, para o mercado sul-africano, são: i) outros motores elétricos de corrente alternada, polifásicos, de potência superior a 75 kW (Código SH 8501.53), responsável por 52,2% do total; e ii) máquinas para misturar matérias minerais com betume (Código SH 8474.32), que representou 15,9% do total das exportações. Outras subcategorias que mereceram destaque foram: i) partes de máquinas e aparelhos apresentados da posição 8474 (Código SH 8474.90), com 12,3% do total exportado; e ii) partes de bombas para líquidos (Código SH 8413.91), com 4,8%. 

Apesar de não se encontrar entre os maiores exportadores de bens de capital para a indústria de mineração na África do Sul, há oportunidades para a indústria brasileira num mercado com potencial de expansão para setor. A África do Sul conta, hoje, com o setor industrial mais desenvolvido do continente, podendo ser considerada centro regional de mineração para a África subsaariana. O setor de mineração depende de importações de máquinas de capital intensivo.

O Chefe do SECOM reforça que o Acordo de Preferências Comerciais entre a União Aduaneira da África Austral (UAAA, ou SACU em inglês) e MERCOSUL oferece vantagens tarifárias para máquinas e equipamentos de mineração como, por exemplo, equipamentos de processamento de minerais, de sistemas industriais e transmissões mecânicas para transporte e movimentação em minas. Vários produtos contam com isenção tarifária ou com alíquota preferencial que varia de 10% a 18% para os países membros do bloco sul-americano. 

A força da economia sul-africana não se resume à mineração, afirma Bruno Neves. Outros setores têm tido crescimento expressivo no país e podem sinalizar oportunidades para o mercado brasileiro de máquinas e equipamentos, sendo um primeiro exemplo o setor agrícola. Mesmo com a recessão econômica e os efeitos da pandemia, a agricultura teve crescimento de 10% em 2020. Os setores de grãos e de frutas são os principais responsáveis pelo bom desempenho. As previsões climáticas indicam a continuidade das perspectivas positivas para a produção agrícola sul-africana em 2021.

Um segundo setor que merece destaque é o de construção e infraestrutura. Apesar da acentuada contração do setor construção civil em 2020 e dos desafios a curto prazo, o panorama a médio e longo prazo é considerado positivo, em razão do programa de investimento em projetos estratégicos e da perspectiva de aumento dos gastos públicos no setor de infraestrutura. 

O mercado sul-africano é receptivo aos produtos brasileiros, mas o Conselheiro alerta para algumas particularidades da economia local e outras questões específicas. Quanto à situação socioeconômica e a localização da produção, cabe dizer que a indústria sul-africana alega dificuldades com os altos custos operacionais associados à oferta de eletricidade, movimentos trabalhistas, entraves legislativos e a falta de investimentos. Algumas empresas sul-africanas relatam que apertadas margens de lucro estariam impedindo o investimento em novos equipamentos. Ademais, o governo sul-africano tem incentivado a localização da produção de equipamentos com o declarado objetivo de gerar empregos e reduzir a dependência de importações. 

Além disso, a política local de promoção de negócios da população negra e de inclusão de cidadãos negros mercado de trabalho, conhecida como Black Economic Empowerment (direcionadas a corrigir injustiças históricas do período do apartheid), busca favorecer empresas sul-africanas e a produção local. Um dos exemplos é a Mining Charter (carta da mineração), de 2018, que determina que 70% do orçamento de compras das mineradoras sejam destinados a produtos fabricados na África do Sul. 

Outra particularidade do mercado sul-africano diz respeito à questão da geração e consumo de energia. Nos últimos anos, a África do Sul tem enfrentado crises no fornecimento de energia, o que gera frequentes medidas de racionamento. Como consequência da crise de energia, as empresas têm buscado reduzir custos operacionais e privilegiado o uso de equipamentos mais eficientes do ponto de vista do consumo de energia. Algumas empresas têm considerado a adoção de medidas para reduzir a dependência do fornecimento de energia pela estatal Eskom, adotando fontes alternativas de energia. 

Questionado sobre a concorrência com produtos de outros países, Bruno Neves alerta para a participação dos produtos chineses, que têm conquistado parcela importante do mercado nos últimos anos – tendo em vista seus preços competitivos. No entanto, algumas empresas brasileiras indicam terem reconquistado clientes, em razão do reconhecimento da qualidade dos produtos brasileiros. Produtos europeus contam, em geral, com vantagens tarifárias em relação a produtos brasileiros, decorrentes do acordo de livre comércio entre a União Europeia e a União Aduaneira da África Austral.

A realização de negócios na África do Sul está atrelada a identificação de agentes e distribuidores confiáveis para intermediar as operações de comércio exterior. Os exportadores devem ter cuidado com possíveis fraudes e com empresas de fachada. O Conselheiro aponta que a Embaixada do Brasil em Pretória pode dar suporte à avaliação a respeito da idoneidade de empresas sul-africanas. 

Outra questão apontada por empresas sul-africanas como diferencial para aquisição de máquinas e equipamentos é o suporte pós-vendas. Trata-se de opção de serviço usualmente oferecida por fabricantes e distribuidores consolidados. O suporte de pós-venda pode incluir a montagem de equipamento, treinamentos, reposição de peças, revisões periódicas, contato 24 horas, assistência no local e manutenção. Empresas internacionais com filiais locais normalmente contam com vantagens no oferecimento desses serviços. 

Acesse ao estudo encomendado pela Apex-Brasil para o setor de mineração na África do Sul:http://www.apexbrasil.com.br/inteligenciaMercado/EstudosDeOportunidadesDeMercados

Raio-X África do Sul

População: + de 57 milhões de habitantes

Capital: A África do Sul possui 3 capitais: Executiva (Pretória), Legislativa (Cidade do Cabo) e Judiciária (Bloemfontein).

Maior Cidade: Johanesburgo

Feiras do setor agrícola: A principal feira do país e da África subsaariana acontece na cidade de Bothaville. A feira NAMPO Harvest Day postergou a edição de 2020 uma vez, antes de decidir por não a realizar. A edição de 2021, que deveria acontecer entre 11 e 14 de maio, foi postergada para acontecer entre 17 e 20 de agosto deste ano.

Feiras do setor de mineração: A feira Electra Mining Africa Johannesburg é realizada a cada 2 anos, desde 2010, na cidade de Johanesburgo. A próxima edição da feira está prevista para acontecer entre 5 e 9 de setembro de 2022 e envolve, além do setor de mineração, o setor de construção, de automação industrial, de manufatura e de geração de energia.

Feiras do setor de mineração:  A feira CONEXPO Africa é realizada na cidade de Johanesburgo, organizada pela Messe München. Para 2021, além dos tradicionais setores de construção e mineração, a feira incluirá o setor agrícola e de máquinas para a indústria madeireira. Neste ano, a feira está prevista para acontecer entre 13 e 16 de outubro.